sexta-feira, 16 de abril de 2010
Bem vindo à leitura!
domingo, 11 de abril de 2010
Histórico de Leitura de Diários do Vampiro: O Confronto
09/04/2010"Comecei a ler a saga Diários do Vampiro por causa do seriado. Achei a história entediante no início, mas a trama foi ganhando força. Infelizmente não acontece a mesma coisa com os livros de L.J. Smith. O primeiro livro é sofrível, o segundo, ao que parece, é igual. Elena é uma adolescente futil e imbecil, assim como todas as sua amigas. Matt não tem noção de que perdeu a namorada. Stephan é um vampiro pobre e sem graça. Até mesmo Damon, que representa o mal, consegue ser pífio. O livro é uma grande decepção. Tenho a impressão de estar lendo um livro infanto-juvenil sobre criaturas noturnas misturado com a fórmula batida dos livros românticos dos séculos XVIII e XIX. Sinto saudade dos livros de Anne Rice e de Bran Stocker. A ideia infeliz de criar vampiros que se apaixonam por menininhas incrivelmente tolas já cansou. Se L.J. Smith foi responsável pela mania vampiresca com contornos toscos, deveria repensar o que faz com o maravilhoso mito e não se preocupar tanto com as altas quantias de dinheiro que deve ganhar diariamente. Acho que o sucesso da série se dá aos excelentes roteiristas que souberam pegar um texto fraco e transformá-lo em uma história atraente."
10/04/2010
50% (112 de 224)
"Apesar de não estar gostando muito do livro, continuo a ler. A história continua fraca, mas, parece, que aos poucos L.J. Smith vai se encontrando na história. Penso que, talvez, se os personagens fossem mais maduros teria mais credibilidade. Mas são de acordo com o público-alvo desse tipo de livro. No capítulo 8, a cena em que Elena sonha com Damon, na Itália, depois é dominada pelo corvo é a parte alta até então, fora isso, nada do que li ainda me rendeu admiração. É uma pena, pois esperava muito mais do livro. Pelo menos, volto a repetir, a história está melhor engendrada, embora ainda muito fútil, como o pensamento de popularidade americano. Isso realmente me irrita, assim, Elena me irrita muito."
11/04/2010
100% (224 de 224)
"Terminei a leitura de O Confronto sem que tenha mudado o meu pensamento inicial: o livro é fraco. Mas, contrariando um pouco minhas expectativas, houve, do meio para o fim, um crescimento na trama. A história é leve, apesar do tema girar ao redor de vampiros, as sedutoras e poderosas criaturas da noite. A fórmula básica das histórias de amor do Romantismo são repetidas na saga de L. J. Smith, sem acrescentar muito de útil ou plenamente original. Um vampiro que se apaixona por uma humana e que se encontra na dualidade da sua existência condenada pelas trevas ao mesmo tempo que luta para manter sua humanidade já foi abordada em outras narrativas vampirescas, em que o amor conduz suas ações. Vamos de Bram Stocker a Stephen Meyer, do melhor para o pior na retratação do mito mais sedutor da literatura. No mais, não se pode esperar muito de um livro com temática e personagens adolescentes. Não é a toa que as jovenzinhas de hoje adoram esse tipo de romance."
quinta-feira, 8 de abril de 2010
Histórico de Leitura de O senhor das Moscas
39% (85 de 220)
"O livro é envolvente, a história está rumando para o clímax de forma agradável, mas o que veio antes foi um pouco cansativo. As descrições muito detalhistas põe um pouco a perder o foco de interesse. Destaque para o Porquinho, o menino, pelo que me parece, é o mais inteligente do grupo, por isso mesmo, o mais desprezado. Ralph e Jack competem pela vaidade e admiração dos demais, no fundo são dois egoístas vaidosos, preocupados somente com os próprios umbigos, não se importando com a segurança ou o bem estar do grupo de meninos."
07/04/2010
62% (137 de 220)
"Estou aos poucos perdendo o interesse pela leitura de O Senhor das Moscas. Esperei tantos anos para lê-lo, e agora sinto uma leve decepção tomar conta de mim. Sinceramente pensei que a história me prenderia, haveria ali um grande complexo para me fazer cismar por horas, mas o que vejo até então é uma sucessão de acontecimentos pífios e desinteressantes. O conflito existente entre Ralph e Jack é previsível desde o início da trama: admiração e inveja. Espero me surpreender nas próximas páginas para fazer com que a leitura tenha valido a pena."
08/04/2010
84% (185 de 220)
A história deu uma boa guinada e voltou a prender a atenção. A selvageria e a luta pelo domínio territorial mostram a face ruim do ser humano, independentemente de idade ou credo. A luta pela sobrevivência existe, mas, de modo geral, a disputa é vaidosa, prepotente, até certo ponto arrogante. Porquinho se mostra cada vez mais uma pessoa sensata, enquanto Jack ganha contornos maléficos. A morte brutal de Simon é fruto da selvageria impensada, do medo disfarçado de coragem prepotente. Uma cena triste e marcante, assim como o modo como os meninos tratam do ato degenerativo moral. Não assume a culpa, ignoram que tenham errado em nome da proteção. Quem é o verdadeiro Bicho assustador? A criatura que vive na floresta ou eles, todos os meninos?"
08/04/2010
100% (220 de 220)
"Não gostei do final. Depois de uma boa sequência de ação, em que são mostradas a selvageria do ser humano, a necessidade de sobreviver em desacordo com a moral, a trágica morte de Porquinho, o único ser racional do grupo, as desavenças entre Ralph e Jack. A chegada do capitão naval foi um meio fácil de encerrar a trama, uma ajudinha do destino para salvar o protagonista das lanças afiadas dos selvagens sem muito esforço depois de tudo o que o menino loiro passou para sobreviver à caçada brutal, em que fora transformado em porco para os seus inimigos. A cena do Senhor das Moscas é rica, mais por Simon que de Ralph, mesmo assim gera um desconforto irritante a cabeça de porco enfiada na lança, em estado de decomposição. Um bom livro para uma leitura rápida, só isso."
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Histórico de Leitura - As Terras Devastadas
Resolvi fazer um histórico de leitura com as minhas impressões sobre a Torre Negra, de Stephen King. Como não fiz dos dois primeiros livros, começo pelo volume III, As Terras Devastadas, pois o estou lendo agora. 24/03/2010
20% (103 de 526)
"O livro desceu um pouco o tom, mas ainda tem ótimas referências. Adorei a parte em que Eddie lê a melhor frase de King: O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás. Ponto negativo para as criaturas robóticas com antenas na cabeça, mas, em se tratando de King, deve haver um bom motivo para isso nas próximas páginas." Nota: 5
26/03/2010
36% (188 de 526)
"Um belíssimo capítulo sobre Jake. O abismo da loucura cerca o menino. E é justamente Jake Chambers o ponto negativo, ele é muito maduro para as suas ações e pensamentos. Uma criança mais que prodígio. Foge um pouco do verossímil." Nota: 5
29/03/2010
51% (270 de 526)
"Finalmente um pouco de emoção na história. Fazia tempo que não me sentia angustiado lendo A Torre Negra, embora a angústia não tenha sido lá grande coisa. As Terras Devastadas tem muitas passagens desnecessárias, até mesmo bobas, mas ainda é Stephen King. AS últimas partes do último capítulo são boas, mas o livro ainda está longe do que esperava. Falta agora ler o livro 2, a segunda parte do volume III, espero que o tom da narrativa cresça, assim como a busca de Roland pela Torre Negra fiqu mais emocionante. Sei que se continuar morno como está, é bem provável que eu faça uma lacuna maior para ler Mago e Vidro. Como prometi a mim mesmo que leria a série A Torre Negra este ano, continuo meus esforços para dar conta de tantas leituras. De uma forma ou de outra, King me fascina, até mesmo quando é ruim, ou regular." Nota: 5
31/03/2010
Finalmente uma explicação sobre o mundo de Roland. O encontro com os moradores da cidade está perto, por enquanto só os velhinhos (mais que centenários) babando o pistoleiro e criando um clima de mistério. Está difícil de encontrar empolgação para continuar a leitura. Jake Chambers me irrita demais por ser um menimo prodígio e inteligente demais. Eddie e Susanah caíram também, espero que a trama se ajeite e volte a ser interessante. Não vejo a hora de largar As Terras Devastadas, ou pelo menos chegar às Terras Devastadas e ter um pouco de emoção. Por falar em emoção, Detta Walker (?) estuprando o demônio foi uma comédia. E a porta de Eddie... melhor nem comentar." Nota: 2
05/04/2010
93% (490 de 526)
"Ação na história! O penúltimo capítulo das Terras Devastadas me prendeu novamente como os demais livros de King. A primeira parte do livro foi monótona, inverossímil diversas vezes, mas depois do rapto de Jake as coisas mudaram de figura. A narrativa volta a ser intensa, as imagens voltam a ser marcantes. A surra que o garoto leva de Gasher é revoltante, sem contar as especulações do que vão fazer ao menino prodígio de Roland, que manldade os Grays reservam a ele, ou ainda como o Pistoleiro fará para evitar que Jake mais uma vez caía no abismo da morte em busca de "outro mundo além deste". MAis uma vez ponto negativo vai para Eddie e Susanah, mais para Susanah, Odetta, Detta, do que para o ex-viciado em heroína. Ainda não consegui entender a importância da mulher na obra, já que até agora ela nada mais é do que um peso morto, servindo unicamente para atrapalhar a busca de Roland de Gilead a encontrar a mítica Torre Negra. Outro ponto de tensão é o aparecimento de Richard Fannin, Randall Flag(?) de a Dança da Morte, e o Homem do Tiquetaque se tornando Andrew Quick. Vibrei com a frase "Minha vida por você"." Nota: 7
06/04/2010
100% (526 de 526)
"Cheguei ao fim do livro tentando entender qual o motivo da existência do capítulo final. Na minha modesta opinião de leitor, achei-o desnecessário e chato demais. A ideia das adivinhações foi terrível, não gostei nehum pouco do fim dado por Stephen King. Sinceramente achei que o livro fosse manter o ritmo de O Pistoleiro e A Escolha dos Três, mas me enganei deveras. Que venha agora Mago e Vidro para me fazer esquecer definitivamente do tédio que foi ler As Terras Devastadas." Nota: 5
sexta-feira, 26 de março de 2010
Cemitério perdido dos filmes B
Gênios ou loucos? Aproveitadores ou revolucionários? Conheça a história de homens e mulheres que não desfilaram pelos tapetes vermelhos de Hollywood. Personagens que escreveram a história do cinema por linhas tortas, pavimentando o caminho para as grandes produções. Nomes como Roger Corman, Russ Meyer, Mario Bava, Terence Fisher e Jess Franco, que abriram passagens, quebraram tabus e tornaram-se mitos, influenciando até hoje cineastas da estirpe de Tim Burton e Quentin Tarantino. Cemitério perdido dos Filmes B traça um panorama do Cinema de baixo orçamento através das resenhas de 120 produções de diversos gêneros. Um retrato honesto e divertido dos heróis não celebrados da Sétima Arte.
http://www.editoramultifoco.com.br/catalogo2.asp?lv=248
quinta-feira, 25 de março de 2010
Voltemos a programação normal
A tecnologia 3D está se tornando algo imensamente perigosa; o que não é um problema interamente dos cineastas. Nossa sede por novidades fez de Avatar o filme mais bem pago da história do cinema (com ressalvas de correção monetária), mas o filme em sí é apenas mais uma repaginação da mesma história do branco opressor que é aceito na tribo mas é quem mostra o real aspecto de ser o espírito do grupo. Apesar dos pesares, o filme não é de todo mal e o 3D é realmente impressionante; mas não que os cineastas modernos saibam o que fazer com essa total imersão.

Então todos os personagens ficam truncados, têm emoções e resolvem conflitos; tudo que Lewis Carol estava tentando se distanciar. E não é por ser um filme para o grande público que tiveram que aguar um pouco esses conceitos: o desenho anterior da Disney conseguiu impecavelmente manter a caracterização dos arquétipos, não dos personagens.
E eu vejo isso como um erro grave; filmes têm suas regras básicas ( de conflito, resolução e o diabo a quatro) sim, mas quando há uma tradução de um outro meio deve se manter certas referências. Senão seria melhor criar essa mesma história, mas com novos personagens: como Avatar fez.
Por essas e outras que eu acho que o Tim Burton se perdeu de vez.
Mas e o 3D?
Eu tive um idéia sobre o que o 3D significa esses dias. Porque a tecnologia por sí só não traz nada de inovador à uma arte: sua aplicação é muito mais importante as vezes. E o que o 3D faz além da imersão total, que no fundo todo filme bom deveria fazer, é que não há necessidade de se escolher um plano. Tudo pode ser mostrado em TODOS os planos. Uma tomada pode mostrar muito mais e deixar o borrado pra trás. Acho que a série Heroes tentou fazer isso sem usar o 3D e ficou com uma qualidade duvidosa.
Meu palpite é que as tomadas, que estão se tornando cada vez mais rápidos, vão diminuir em rítmo já que existirá muito mais em tela para ser visto do que num filme convêncional. E Alice, até mesmo Avatar, pecou nesse aspecto. Não houve profundidade em lugar algum: nem nos personagens, nem nas tomadas.
Oremos para que os cineastas entendam isso em breve e façam tudo ter mais profundidade mais uma vez. A emoção do 3D não vai ser exclusiva de cenas de ação, que chegam a encher de tantas coisas que jogam a sua cara (e pelo mesmo motivo espero que pornô nunca seja 3D).
quarta-feira, 24 de março de 2010
Sorteio O Reino dos Céus
A cotação do livro no Skoob é de 5 estrelas.
Surpreenda-se e apaixone-se também.
Para se inscrever vá ao link ao lado e siga as instruções:
http://www.romancesinpink.com.br/2010/03/sorteio-o-reino-dos-ceus.html
domingo, 21 de março de 2010
Borges e os Orangotangos Eternos de Veríssimo

Borges e os Orangotangos era um livro que queria ter, mas nunca foi prioridade entre as minhas visitas às livrarias. Era apenas mais um livro de Veríssimo para a minha coleção, e que, como muitos, entraria na minha vasta lista de espera pela leitura. E realmente foi.
Há três anos o livro de capa azul e preta descansou entre os demais livros do cronista. Olhava-o sempre com um certo ar de desconfiança, porque prefiro o Veríssimo cronista ao romancista. Apesar de ter gostado de Clube dos Anjos, e de toda a coleção Plenos Pecados, não me sentia disposto a ler o seu livro sobre o mestre argentino.
Não sei se a longa espera foi boa ou negativa. Talvez se o tivesse lido há três anos não tivesse o encanto que tive hoje ao me entreter com tal preciosidade. Veríssimo criou uma história fantástica, transformando Jorge Luis Borges em personagem de sua trama de suspense com referências às obras de Edgar Allan Poe.
A leitura é prazerosa e apaixonante. O encontro entre o fã, Volgenstein, e o ídolo, Borges, é construído de forma inteligente e perturbadora. Os mistérios que rondam o assassinato do crítico literário especialista em Poe são muito bem construídos, embora não seja difícil prever quem seria o real assassino. Mas era essa a intenção do narrador-personagem desde o princípio. Ponto para o autor, a criação de um narrador não confiável, como acontece com a maioria dos contos do autor de O Escaravelho do Diabo.
Alguns fatos passam longe da verossimilhança de um crime e, principalmente, da ação da polícia diante de um assassinato. Mas o que importa isso diante de uma narrativa fluente que envolve o leitor desde as primeiras linhas do texto?
Outro ponto interessante do livro é o capítulo final ficcionalmente escrito por Borges, que abandona o posto de personagem-interlocutor para assumir a responsabilidade pelo desfecho da história. O Borges de Veríssimo faz bem o seu papel de detetive literário, desvendando o mistério que envolve a morte de Joachim Rotkopf, o grosseiro crítico alemão.
Agora penso, depois de voltar com o livro datado para a estante, que relutei para ler um livro encantador e cativante. Faço questão de voltar à obra de Jorge Luis Borges, que certamente não foi bem feita, graças à magia despertada por Luís Fernando.
http://www.albertodacruz.prosaeverso.net
sexta-feira, 12 de março de 2010
Voltando às atividades literárias
No fim de 2009, não imaginei que este ano fosse ser tão produtivo. As perspectivas são muito boas para minha carreira literária. Todos sabem que desde que finalizei O Jogador, dei um tempo na produção textual. Primeiro me dei férias merecidas, mas as férias se estenderam por muito mais tempo do que imaginei. Felizmente tenho material de sobra para passar um ano, no mínimo, sem escrever nada. Mas me cobro o suficiente para não ficar um mês longe do texto, um dia sem pensar nas letras. Embora quisesse apenas esperar pelo que já tinha planejado para 2010, resolvi de última hora mexer na gaveta de guardados e reler minhas palavras esquecidas. Encontrei Pesadelos e reli suas frases macabras com paciência. Lembrei-me de que havia publicado alguns contos que formam esse volume no Recanto e, claro, fui conferir o que as pessoas falavam desse trabalho, se é que falavam. Os comentários que meus textos receberam foram tão produtivos que achei por bem torná-los concretos com a publicação definitiva do livro.
O Clube de Autores foi uma ótima ferramenta para a publicação enquanto a Multifoco não faz acontecer o Memórias em Ruínas, que já vai para 9 meses na fila de espera. Mas não vim aqui falar do Memórias, o assunto hoje é Pesadelos. O livro ficou pronto em 1 mês, já que só precisava de revisão e alguns poucos ajustes. O resultado, apesar da rapidez, foi excelente, tudo como previ que ficasse. Sem puxar sardinha para o meu lado, a edição ficou lindíssima e os contos fazem jus a ela.
A divulgação começa agora. Iniciamos o mês aparecendo na mídia. Na 8ª edição do Rumo Costa Verde, Pesadelos e eu estamos presentes em uma entrevista bem legal sobre o livro feita pelo jornalista Hugo Oliveira. Ontem fomos à televisão, no programa Angra Interativa, para falar sobre literatura e divulgar o meu trabalho. Assisti ao programa no horário alternativo, já que foi ao vivo, e gostei do que vi.
Agora temos que fazer as vendas subirem.
Abraços.
quarta-feira, 10 de março de 2010
Divulgação funcionando
No número 8 do jornal Rumo Costa Verde, saiu uma entrevista bacana sobre o meu livro, realizada pelo jornalista Hugo Oliveira, com direito a foto colorida de meia página e tudo.
Amanhã, vou à Master Tv participar de um programa de entrevista ao vivo para falar de Pesadelos e outros textos.
Lançar um livro novo é sempre legal!
Abraços
http://clubedeautores.com.br/book/
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010
A calmaria chegou, é hora de seguir viagem

Neste ano as coisas foram um pouco diferentes dos últimos, pois aproveitei bem mais o descanso, e realmente dei férias para as responsabilidades cotidianas. Viajei em família, viajei com a namorada, fiquei em casa, deitado na cama assistindo a filmes, joguei sinuca, baralho, tomei cerveja, bebi uísque, chorei pela tragédia que nos assolou como um monstro voraz, agradeci pelos que sobreviveram e sofri pelos que morreram. A única coisa que não fiz foi escrever.
Na virada do ano, quando a chuva devastou Angra dos Reis, a tristeza cresceu a cada minuto, primeiro pelas dores pessoais, a preocupação com os bens, a tensão pelo pior; depois veio a dor, a dúvida, a certeza. Quando morre alguém que faz, ou fez, parte da nossa vida, em geral, há uma perda de controle, uma laceração íntima sem tamanho. Decidi não escrever sobre Angra dos Reis e suas vítimas. Não quis, ou não pude, sentar e relatar a angústia, o pavor e o medo que nos fez chorar. Pela primeira vez quis sair de Angra nas férias de verão. E foi bom.
Mas para não ficar metido no ócio, resolvi mexer em velhas páginas. Encontrei o meu original de Pesadelos esquecido na gaveta e resolvi olhar com mais cuidado para o livrinho de contos de terror. Como a sensação era essa, terror, pareceu-me ser o momento exato de retomar a ideia de, se não me engano, 2006. Tirei as férias para reler Pesadelos e, para minha surpresa, surgiu a oportunidade de publicá-lo. Larguei mão do ofício colérico da pena e entrei no mundo obscuro da editoração. No final, o produto do meu trabalho me agradou muito. Fiquei contente com a edição do livro. Da capa ao marcador de página, nada me desanimou no projeto. Pela primeira vez, um livro ficou do jeito que eu queria.
As coisas aconteceram rápido. Antes mesmo da finalização do boneco, recebi um convite do jornal Rumo e da rádio Costazul para entrevistas sobre o livro. A divulgação parece estar encaminhada, felizmente.
Estou, agora, acertando os últimos detalhes para o lançamento do livro. Minha equipe de imprensa e agentes estudam a melhor data para o evento, que ainda não sei qual formato terá. Gostaria de um café literário, como fizemos na época de Intermitência, ou alguma coisa maior, como fizemos na Casa de Cultura. Ainda não me decidi pela forma como levarei o bastardo ao mundo.
O ano começou mal, mas ganhou contornos de esperança. Pode ser que toda negatividade tenha escoado com a água que nos devastou no primeiro dia do ano, e agora as positividades venham nos trazer um pouco de alegria. Parece que a calmaria chegou, preparamo-nos para seguir viagem. O livro está lindo, as perspectivas boas. O que me falta agora é conseguir escrever, já que os Pesadelos acabaram.
sábado, 9 de janeiro de 2010
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Zico marca mais um golaço

Hoje é um dia de felicidade. Hoje pude rever o maior ídolo da torcida rubro-negra em campo, defendendo as cores do Flamengo, ao lado de outros imortais que já vestiram o manto sagrado.
Arthur Antunes Coimbra acertou de novo ao convidar os homens que fizeram a alegria de milhões na década de 80 e alguns dos que nos fizeram sorrir, e continuamos a sorrir, neste ano.
Sempre falei para o meu irmão que Zico era divino, que o maestro Júnior jogava por música, que Adílio era fera, que Djalminha não fazia feio, que Gilmar fechava o gol, que Romário era o terror. E meu irmão, que só tem dez anos, dizia que o Adriano é o Imperador e que o Petkovic é craque. Não discuto com ele, não adianta. Mas hoje pude mostrar ao pequeno rubro-negro que o pouco que vi em minha infância era a mais pura verdade. Não adiantava assistir aos jogos em DVD, ele dizia que o futebol era diferente. Mas hoje não. Hoje ele viu o Zico jogar num Maracanã lotado, viu Zico fazer três gols lindíssimos, viu o Imperador perder não sei quantos gols feitos, viu Ibson e Juan mostrarem que craque o Flamengo faz em casa, viu Wilson Gottardo parar Edmundo, Charles Guerreiro roubar a bola de Vagner Love, Cláudio Adão cadenciando o meio de campo, Jorginho cruzando com precisão, Júnior driblando pelo meio, pelas pontas, Alcindo já sem nenhum cabelo, Andrade fora da área técnica, Tita desarmando o adversários, Zinho armando pela esquerda, Nunes entrando pela ponta, Renato Gaúcho sendo vaiado por mais de 75 mil pessoas e Romário dando belíssimos passes de letra com a camisa do Mais Querido. E também reviu Fábio Luciano, o capitão do Pentatri, Ibson e sua garra, Juan e seus desarmes precisos... Que lindo!
Obrigado, Zico, por mais este golaço em sua brilhante história vitoriosa. Obrigado por mostrar que todos podem fazer de um jogo beneficente mais do que uma forma de arrecadar fundos, sobretudo, obrigado por mostrar aos nossos meninos o quão bom é ser Flamengo.
sábado, 3 de outubro de 2009
Boas Novas

Ainda em relação a O Jogador, recebi um e-mail da Editora Bibliotexa 24X7, via Mesa do Editor, para a publicação do livro. De qualquer forma, fico feliz pelo interesse da citada editora, mas, como já ocorreu com Memórias em Ruína, não devo aceitar. A ideia de pagar qualquer quantia para publicar não me agrada. Além disso, fazendo uma rápida pesquisa no site da Biblioteca 24x7 (que nome é esse?), li que eles alugam o livro em formato eletrônico. Achei uma ideia estranha e, para mim, nada atraente. Outro fator que me fez negar o pedido foi a taxa de R$ 300,00 a ser paga para a montagem do livro eletrônico.
Há outras possibilidades para se autopublicar hoje em dia, e o melhor, sem pagar nada por isso. Quem conhece o Clube de Autores sabe do que estou falando. LIvro físico e livro eletrônico sem gastos e sem surpresas desagradáveis.
Dessa forma, digo: Não, muito obrigado, caríssimo editor.
"Tá bom", depois de muita insistência por parte dos amigos e de alguns leitores, voltei a trabalhar o texto de A Vila do Medo. Assim que corrigir a pilha imensa de provas que tomou minha mesa e terminar a leitura de O Voo da Rainha (Tomaz Eloy Martinez), darei à história de suspense a atenção merecida. O problema é que já faz mais de um ano que escrevi os primeiros capítulos, portanto conseguir manter a linha de escrita e o sentimento da narrativa não será nada fácil. Terei que fazer as pesquisas de novo, buscar o clima certo, assistir a filmes, reler livros para não fugir à proposta inicial.
É pena que eu queira muito escrever uma outra história, A Marcenaria (título provisório).
Vamos ver o que o fim de semana me traz.
Um grande abraço aos amigos leitores.
segunda-feira, 28 de setembro de 2009
O fim de uma jornada, ou o capítulo final
Quando Jean e eu iniciamos o Vida de Escritor, estávamos enfrentando as primeiras panes do nosso Conto Conspiratório, o malfadado livro à quatro mãos. A idéia original era escrever sobre as dificuldades em se escrever quando a mente e os problemas cotidianos influem na tecitura do texto. Bem, já faz, mais ou menos, dois anos que o blog foi ao ar, três romances — dois publicados e outro indo para a revisão — escritos por mim, alguns poemas e várias entradas no diário eletrônico, sem que o nosso texto avançasse mais do que três capítulos.
O blog foi jogado às traças, depois que eu o assumi, escrevendo meus dias de angústia e batalhas sangrentas com as palavras. Jean abandonou o projeto, eu o segui, contando meus pensamentos e alguns dos acontecimentos bizarros, engraçados, tristes, lastimosos e felizes da minha vida, não só de escritor, como também pessoal, profissional e afetiva.
Agora, com poucas e nada frequentes entradas, volto a escrever minha parte da estranha Vida de Escritor. Venci, pois, o hiato que me separou por um bom tempo da atividade literária. Depois da publicação de Intermitência, a separação dói — Corifeu, 2008 — escrevi alguns capítulos da infame Vila do Medo e, antes do clímax, voltei minhas fichas para Memórias em Ruína. Terminada a redação inicial, deixei-o arquivado em alguma pasta no computador e esqueci o quão prazeroso é escrever. Não sei se por não obter o retorno desejado com Intermitência ou por estafa mental, não me sentei para escrever durante meses; aposentadoria por invalidez no INSS literário. Em julho, ou junho, deste ano, comecei a escrever as primeiras páginas de O Jogador. Queria escrever algo diferente, sem muita reflexão íntima, com muita ação, mas discorrendo sobre algo do meu interesse. Decidi abordar os jogos de sinuca, uma velha paixão. Depois de longa pesquisa, encontrei a hora certa para começar. Foram mais ou menos três meses pensando e trabalhando o texto. Durante três meses O Jogador fez parte de minha vida. Ontem escrevi a última frase do livro. Hoje sinto um vazio. Não ter mais o que escrever, não ter mais o que criar gerou-me a sensação de nulidade. Penso em voltar ao texto, reescrevê-lo, modificá-lo apenas para não aceitar que chegamos ao fim. Não mais nos pertencemos. Devo entregar o original à revisão ainda esta semana, por isso a despedida é dura. Nunca trato meus textos como filhos ou entes queridos, mas com este a impressão é que não termino um trabalho, mas lhe dou vida, ou o lanço para a vida como uma criança diante das mazelas de um mundo doente.
Foi divertido sonhar com as tacadas de Heitor, com as curvas do corpo de Victória, com a maldade de Munro, com a ganância de Hernan Lopera, com a vingança de Paulo Caçapa, com a corrupção do Capitão Dantas, com a ingenuidade de Thiago, com a tristeza de Fabiana, com a elegância de Raul Vergara e o enigma de Aldone. Sentirei falta dos meus personagens como sentiria de um parente que se vai. Dou-lhes, então, o meu adeus. Desejo-lhes sucesso na jornada. Que seus caminhos sejam melhores do que o meu.
Agora que o trabalho, e a jogatina, acabou, preciso de um tempo para aliviar a cabeça. Pensar no próximo trabalho. Já tenho um roteiro pronto, as madeiras no galpão para construir A Marcenaria. Não sei ao certo, mas acredito que este meu novo projeto se torne o mais novo xodó. Pelo menos no esboço a ideia me encantou de tal modo que as personagens ainda em gestação já ganharam o meu afeto. Não vejo a hora de começar a escrever o texto que contará a saga do velho marceneiro e seus conflitos num mundo moderno. Volto ao trabalho psicológico-memoralista, semelhante ao desenvolvido em Memórias em Ruína. E por falar nisso, é incrível como Memórias, Leite Derramado e Os Órfãos do Eldorado se parecem até mesmo nas diferenças. Mas isso fica para uma próxima vez.
sexta-feira, 11 de setembro de 2009
O ontem, hoje
Perdoem-me os amigos, mas estou hoje um tanto sentimental, saudosista, nostálgico. Falta-me o fogo, esfriou o quarto tão de repente, que não tive tempo de buscar o cobertor. Será que o presente está rumando para o passado? Não me entendo quando se trata da emoção. Talvez seja a estrela que morreu, extinguindo seu brilho. Não, realmente não entendo.
Sinto saudade no meu peito, e minha consciência grita como um desesperado em agonia. Tenho saudades, mas não sei se do hoje, ou do ontem longínquo residente nos escombros da memória. Está tão frio aqui. Não me sinto à vontade, não sei mais dizer palavras confortantes, amorosas, românticas. Algo em mim está morto, ou apenas ausente. Tantas dúvidas, tantas indecisões, nenhuma certeza do que havia pouco era o Certo. Mas há certeza em algo, quando a vida é cheia de surpresas e reviravoltas indiferentes à nossa simples vontade?
Sem querer, pus-me de frente ao passado. Escolhas. Desleixos. Inocência. Descuidos. A vida tão surpreendente quando nos guia o caminho por onde nunca imaginávamos passar.
Quem imaginaria, num dia comum, esbarrar com dois passados, ao mesmo tempo, juntos? Dois passados sorridentes, numa caminhada despreocupada pelas ruas do presente. O tempo. Os anos correm, as pessoas envelhecem, perdendo a beleza da juventude. As bocas, os calafrios, os sentimentos, tudo muda; nada permanece igual ao que era antes. Corpos, bocas, nucas. O cheiro, este não muda. As paixões do antes não voltam ao coração. Só mesmo na etimologia, trazemos de volta as imagens perdidas nas falhas da memória. Duas bocas. Duas línguas. Dois corpos. Todos somados a um, formavam um triângulo saudoso de cheiros, cabelos, pelos unidos sobre o mesmo lençol.
Quantos anos se foram no calendário das vagas lembranças? No mínimo dez, onze talvez. Quantas palpitações de corpos se perderam? Quantas carícias? Quantas juras em segredo? Foram amores verdadeiros ou devaneios de paixão? Ah, nada melhor do que o cheiro do passado como o da chuva fina no asfalto!
As três bocas estalaram em toques no rosto, acompanhadas de palavras aos surdos, ditas como mudos, em passos que se separaram depois. As bocas, os corpos se foram. E eu fiquei imóvel em meu instante. Mas agora sinto o gosto que o tempo malogrou. As bocas que foram minhas, e hoje nada são. Os corpos que tive, e hoje não passam de cogitação.
Façamos, então, um brinde ao ontem, como singela lembrança da juventude expirada; como uma sutil recordação do que já não volta, nem vale a pena voltar.
terça-feira, 21 de julho de 2009
PARECE MENTIRA, MAS NÃO É
Quase não acredito que estou fazendo, aos poucos ainda, as pazes com as letras. Depois de um longo período em silêncio voltei a bailar com palavras. Um ano depois da publicação de Intermitência, seis meses do término de Memórias em Ruína, eis que me dedico à concepção de uma nova história.Há duas semanas comecei a escrever a aventura O Jogador, um romance focando o submundo dos jogos de sinuca. Confesso que é algo diferente dos meus escritos habituais, uma nova experiência no campo das letras, deixando de lado os enigmas da mente humana e escrevendo uma trama simples, fácil, popular, mas que tem me deixado muito feliz.
É bom quando escrevemos sobre algo que nos alegra, parece que flui mais fácil. Neste novo romance tive a facilidade nas pesquisas sobre o tema, porque amo jogar sinuca. Talvez tenha sido essa paixão que me fez escolher o assunto do livro e criar a personagem central da trama. Mergulhei, pois, em diversos livros sobre o jogo, alguns que já havia lido por prazer outros que caíram em minhas mãos em visitas em diversos sebos; esbarrei em sites sobre sinuca recheados de boas informações e, principalmente, ao prazer que o Youtube nos proporciona com seus vídeos. Os amigos sabem o quanto me dedico às minhas pesquisas, o quanto me apaixono por um assunto e devoro o máximo de informações possíveis sobre ele. Agora, juntei o útil ao agradável. Já fazia um tempo que queria escrever sobre sinuca, mas a ideia ficou engavetada, e outros trabalhos foram ganhando mais importância.
Entre o final de 2007 e o início de 2008, não lembro precisamente a data, Daniel Braga, Jean Marcus e eu jogávamos uma partida de bola oito, num boteco, acho que no Marinas, um bairro aqui de Angra, tivemos a idéia de montar um curta sobre um jogador de sinuca que, durante um jogo, repassava sua vida de acordo com as bolas que encaçapava. Era uma ideia boa, com baixo custo. Cheguei a escrever algumas cenas, mas o projeto não foi adiante, porque Jean Marcus foi morar na Califórnia e nossos projetos, como já disse antes, ficaram esquecidos, assim como o Conto Conspiratório, o malfadado romance a quatro mãos que até hoje me assombra como um fantasma. O projeto ficou de lado, mas não esquecido, espero ainda poder retomá-lo.
Foi justamente pensando em reescrever o roteiro do curta que tive a ideia de escrever sobre as maravilhas do pano verde. Apelei mesmo para uma das poucas coisas que ainda me prendem o interesse para escrever, porque as demais coisas me fugiam. Antes, porém, comecei o longo caminho das pesquisas para o romance. A primeira fase foram os filmes que abordavam o tema. Assisti sozinho ao belíssimo The Hustler (Desafio à Corrupção), de 1961, com uma atuação incrível de Paul Newman, interpretando Fast Eddie Felson, e Jackie Gleason, como Minnesota Fats. Em seguida, foi a vez de assistir à continuação The Color of Money ( A Cor do Dinheiro), de 1986, com Newman revivendo Fast Eddie, dessa vez ainda mais memorável, e Tom Cruise interpretando o jovem Vincent Lauria. O filme ainda traz Mary Elizabeth Mastrantonio, como Carmen, e John Turturro, como Julian. Depois das adaptações bem-sucedidas dos romances de Walter Tevis, foi a vez de Poolhall Junkies (O Chacal não perdoa), de 2002; com Mars Callahan como Johnny Doyle e Christopher Walken como o Tio Mike, girar no meu aparelho de DVD. Podia me dar por satisfeito, mas encontrei o recente Shooting Gallery (Galeria de tiro), de 2005; estrelado por Freddie Prinze Jr. como Jericho Hudson com poucas inovações, mas ideias interessantes. Semana passada assisti ao Turn the River, de 2007, estrelado por Famke Janssen, interpretando a personagem Kailey Sullivan; um filme com boas ideias, bom fim, mas muito aquém dos dois primeiros filmes já citados.
Saindo dos filmes, a segunda fase teve início com os livros. Comecei com o nacional Snooker: tudo sobre sinuca, de Paulo Dirceu Dias e Sérgio Faraco, 2005; um livro didático com referência às técnicas de jogo e detalhamento das técnicas do snooker. Na mesma época, caminhando pelo Largo do Machado, encontrei um vendedor de livros usados. Mais do que conhecida minha fixação por livros, acabei encontrando A Cor do Dinheiro, de Walter Travis, 1988, por R$ 2,00. Comprei-o na hora, é claro, pois um achado como esse não podia ser ignorado, porém relutei em ler por um tempo por acreditar que a história era a mesma da adaptação de Martin Scorsese. Feliz engano, pois quando decidi ler o livro, não encontrei nada de semelhante entre a obra literária e o filme de 1986. Cheguei a cogitar um texto comparativo entre as obras, mas não levei à frente o desejo. O Bilhar sem Mistérios, de Nelson Velasques, outra obra didática sobre os jogos de bilhar me renderam boas informações sobre o esporte e suas técnicas. A última obra, também encontrada num sebo, dessa vez na Cinelândia, foi o belíssimo The Official 1990 Matchroom Snooker Special, de Ian Morrison, 1989, com introdução do lendário hexa campeão mundial de snooker Steve Davis. No campo da ficção literária, encerrei a pesquisa com Saloon, conto de Sergio Faraco, presente no livro Snooker: tudo sobre sinuca.
Ainda não satisfeito, visitei com mais frequência os sites Ponto da Sinuca, Tacolândia, Sinuca MS, Federação de Sinuca e Bilhar do Estado do Rio de Janeiro e Confederação Brasileira de Bilhar e Sinuca, de onde consultei as regras oficiais dos jogos de bilhar e demais informações sobre torneios e artigos sobre o esporte infelizmente tão malvisto no Brasil.
Engraçado como em países como a Inglaterra e Estados Unidos o bilhar é tido como um esporte elitista, diferente do que ocorre por aqui. Enquanto a maioria dos jogadores brasileiros se contenta com as surradas mesas de bar, ou botecos, com tacos de ponteira plástica e bolas de péssima qualidade, em países que dão valor ao esporte, a maioria dos itens é de primeira linha, como as famosas bolas belgas da Aramith, as mesas da americana Brunswuik, por exemplo, os tacos ingleses, como os caríssimos MasterCraft e Rilley, feitos com madeiras nobres, diferentes dos nossos que muitas vezes são impossíveis de se jogar de tão empenados que se encontram, sem contar as solas de couro como as das americanas Master, Le Professionel e Brunswick ou a tailandesa Talisman contrapondo-se às plásticas nacionais
Felizmente para nós da terra do futebol, graças alguns incentivadores do esporte, algumas lojas especializadas e salões de sinuca oferecem material de qualidade para a prática esportiva, mas em número infinitamente pequeno em relação aos adeptos da sinuca de modo geral. Pior do que isso é o preconceito existente não só por pessoas que repugnam a sinuca, julgando-a como jogo de malandros, mas também pelos próprios adeptos habituais que preferem se acomodar com as sobras e objetos sem qualidade. Certa vez apareci num bar comum para jogar uma partida de sinuca e, por levar meu taco, fui alvo de comentários grosseiros. Quando perguntado pelo preço do acessório indispensável, chamaram-me de louco por gastar uma alta quantia por um pedaço de madeira. Para mim, mesmo sendo um jogador amador, acredito ser primordial ter qualidade em minhas tacadas, não quero defender a tese da elitização do esporte, apenas desejo que os donos de bares permitam que seus frequentadores tenham acesso ao mínimo de qualidade. Imaginem como seria bom entrar num bar, tomar uma cerveja bem gelada e jogar uma partida de sinuca com bons tacos, boas solas e um giz decente. Não é um investimento tão alto, mas o descaso é mais rentável, certo? É capaz de qualquer dia encontrarmos cabos de vassoura torneados nos fundos do bar como tacos de sinuca.
Depois da longa pesquisa, passei a ver as coisas que envolvem o esporte com outros olhos, por isso quis realmente escrever sobre o assunto, sobre o submundo das apostas, dos conflitos que vão além das mesas de jogo e passam para a vida dos homens, sobre a fascinação pelas bolas coloridas, sobre a esperteza do ser humano, sobre como se ganha, ou se perde, a vida em disputas no pano verde, sobre como a vitória faz o homem sorrir mesmo só tendo motivos para chorar, sobre como se pode fugir da realidade quando a tacadeira rola pela mesa em busca da conquista da alegria por um instante.
Escrever sobre o que se gosta deixa de ser trabalho para se transformar em prazer e, ao fim, a satisfação plena como um orgasmo intenso ao vê-lo ganhar vida nas mãos do público.
Espero terminar O Jogador antes de agosto. Se continuar com o ritmo que o escrevo, acredito que conseguirei, mas não quero correr para não estragar o desenvolvimento do enredo. O prazo foi estipulado até o fim do ano, mas quero terminá-lo o quanto antes, pois ainda tenho um romance pela metade, aguardando o seu fim. Mas não vamos misturar as histórias. Uma coisa de cada vez, um livro por vez, lembrando que na fila para a publicação, Memórias em Ruína está na frente, aguardando a resposta da nova editora para definirmos os moldes e as datas para a publicação, portanto tenho tempo para levar o meu jogador de sinuca a mais algumas mesas.
terça-feira, 7 de julho de 2009
Mais uma tentativa para não enlouquecer
Disse faz algum tempo:
— O recesso acabou, é hora de voltar a trabalhar.
— Já era sem tempo — respondeu-me a confidente, e amante.
— Hoje começo — afirmei convicto.
E corri para o computador desesperado pela facilidade com que as ideias brotavam em minha cabeça. Pensei que escreveria tenazmente, atravessando a noite com os estalos do teclado, mas, contrariando as minhas expectativas, o cursor, na hora derradeira, piscava ininterruptamente sem que nenhuma linha fosse traçada. As frases se perdiam em algum ponto da tradução das ideias para o concreto.
Seria abstrato então. Nem mesmo assim fui longe. Uma sucessão de fragmentos e escritos ruins que eram apagados tão-logo foram escritos. Nada. Um mergulho na escuridão da alma incompetente.
No dia seguinte a pergunta voraz:
— Posso ler o que você escreveu ontem?
Eu sorrio aflito, enrubescendo a face e forçando um sorriso. Vou à impressora e pego uma folha em branco. Dou-lhe a folha. Digo:
— É isso, mais nada. Não consigo mais escrever. Acabou-se. O recesso virou aposentadoria por invalidez. Fim da história.
Palavras de incentivo são ditas. Lembranças do passado artístico. Tudo em vão. Não há mais em sombra do criador original ou plagiador.
Agora volto. E lá se vão os meses.
Recomeçar. Saber que preciso desenferrujar as engrenagens, exercitar em textos ruins como este para poder desinibir as palavras envergonhadas. Vamos lá.
A propósito, estou sofrendo um novo romance. Basta saber se chegará ao último capítulo.
segunda-feira, 9 de junho de 2008
DEPOIS DO FESTIVAL DE TORMENTAS, A CALMARIA VEM
A noite hoje é silenciosa. Nem mesmo os automóveis passam pela minha janela. Isso mesmo, a minha janela, o que me resta depois de perder o apartamento — que é meu — no quarto que ganhei na casa de meus pais. Mariana dorme ao meu lado, alheia a tudo, descansa o corpo cansado depois da festa de ontem e uma noite muito mal dormida em conseqüência da fartura das horas acordada. Perco-me ao vê-la dormir. Tão indefesa e frágil como uma criança. Os olhinhos fechados, a respiração serena... é incrivelmente linda. E toda a sua beleza me rouba a atenção, leva-me o tino. Passaria a vida inteira fitando-a dormir como um homem encantado pela sereia mais perfeita levando os marinheiros à ruína. Mas em meu caso, a ruína é o paraíso, não machuca, cura a alma enferma de saudades infindas. Poderia, e deveria, estar deitado ao seu lado, agarrado ao seu corpo, esquentando-me com seu calor, mas estou aqui escrevendo sem grande necessidade com o intuito de acordar mais tarde, junto com ela, como não nos acontece há tempos graças a minha insônia ridícula.
Mariana é meu bálsamo, verdadeiro refúgio em tempos caóticos. Brigamos às vezes, como qualquer casal, discordamos de vários assuntos, enxergamos o mundo por ópticas diferentes, divergimos de opinião em várias situações, mas isso só nos prova que não somos iguais, felizmente. Se tantos são os pontos conflitantes, maiores são os de sincronia. Basta olhar para o seu sorriso e me desfaço de qualquer mesquinharia, raiva ou indiferença. Mariana me tem em suas delicadas mãos, e isso é um perigo, mas me trata com o mesmo cuidado que dedico a ela. Nosso sentimento é uníssono, igual, dividido por nós na mesma carga emotiva. Embora tudo conspirasse para que nossa relação fosse um fiasco e, além de não durar muito, nos trouxesse, principalmente a mim, sanções dolorosas tanto na vida pessoal quanto na profissional, mostramos, não que quiséssemos provar nada, ao mundo e às más línguas que acertamos nos nossos desejos, que aquilo que nos tirava o ar não era o fogo ardente de uma paixão vazia. Não, não era. O que nós tínhamos e temos é amor, um sentimento de doação, companheirismo, amizade, alegria e ternura. Olhamos para a mesma direção de mãos dadas e juntos. Parafraseando Drummond, também vamos não com o sentimento do mundo, mas com o sentimento do nosso mundo. Quando feridos, curamo-nos dos males que nos causam dor. Recuperados do desgosto, reerguemos as sólidas bases do nosso amor e continuamos os passos rumo ao desconhecido incerto... Incerto? A vida é incerta, mas ao lado dela até mesmo as incertezas são certas.
A noite é lenta e vagarosa. O silêncio um nostálgico convite ao pensar. Mariana dorme ao meu lado alheia aos meus delírios. Um sorriso bobo se desenha em meu rosto e meus olhos brilham sinceros de plenitude e satisfação.
sexta-feira, 16 de maio de 2008
Maio, maduro maio; quase podre maio
Maio, maduro maio; quase podre maio. Que eu saiba, agosto é o mês do desgosto, mas algo me leva a crer que houve um adianto temporal na contagem dos meses. Ou pior, não sei, este ano tem sido difícil em tantos aspectos que estou pensando seriamente em elegê-lo como o pior ano da década. Mas ainda estamos a dois de terminá-la, portanto é preciso ter muito cuidado nesta eleição.A vida é mesmo surpreendente e dá cada volta que nos deixa meio maluco. Ultimamente, a minha já entrou em tantos reveses que eu não sei mais o que posso esperar amanhã quando acordar. As coisas mudam tanto para mim, desfazem-se com a mesma, ou até mais, velocidade que são criadas. Eu não sei o que esperar de mim e dos outros principalmente.
Não estou nada bem. Não há como esconder, pois a minha amargura se reflete nos meus olhos sem vida, no meu rosto sem brilho, no meu sorriso choroso, na minha voz muda... Tudo anda às avessas, tudo ao contrário do que um dia foi lindo. Parece que minha primavera realmente chegou ao fim, mas não foi o verão que a sucedeu. Não, por incrível que pareça dormi e acordei no auge de um inverno glacial. Estou mal. Mergulhado num pessimismo absurdo e constante como a dor de cabeça de uma ressaca que nos derrubam por dias intermináveis de náuseas.
Não sei por onde começar a contar os males que me derrubam como um enfermo no leito de morte, implorando para que desliguem os aparelhos que me mantém respirando com dificuldade. Na verdade, nem mesmo quero escrever sobre o que me maltrata, mas uma necessidade superior ao meu querer me obriga a pôr para fora como vômito as minhas vicissitudes na esperança utópica de aliviar o estômago embrulhado de decepções. Assim escrevo hoje, não por prazer, mas por necessidade catártica a fim de me salvar a vida... embora melhor seria ir-me embora daqui, porque não gosto daqui, ir-me embora para não mais voltar, embora para nunca mais chorar, embora... ir embora.
Se não há como evitar, que seja o mais breve possível. Resumirei o assunto para não me causar mais dor do que a já sentida. Ando mal com o amor e, infelizmente, isso interfere diretamente em todas as minhas áreas de atuação, pois penso com o coração, não com a razão como deveria ser, mas não é. O fato é que eu e Mariana não estamos bem. Uma série de acontecimentos enfadonhos vem nos tirando a harmonia. Hoje somos talvez duas notas desafinadas, tocadas de qualquer maneira por quem antes tinha total zelo. A desgraça teve início no feriado do dia do trabalho, quando ao contrário de nos amarmos, brigamos mais do que, perdoem a expressão mais batida do que carro de testes de segurança, cão e gato. Não houve sequer um dia em que não trocamos farpas, apesar de não querermos. Estranhamente eu pressentia que algo de muito ruim aconteceria em breve. Isso ficou, não sei por que, martelando em minha cabeça, aumentando a força, incomodando, latejando, enlouquecendo, durante todos os malditos dias. Na semana seguinte, nós nos entendemos e aliviamos um pouco a sensação de desgraça próxima, apesar de não ter desaparecido como eu desejava. O medo, a insegurança se intensificou quando ela me disse que, pela primeira vez, só voltaria para cá no sábado, não na sexta como era de costume. Triste porque justamente na sexta meu irmão apagava pela nona vez as velas de seu bolo, senti um aperto no peito muito maior do que apenas a sua ausência poderia causar.
Algo estava errado não só porque Mariana não estava aqui, mas também por já ter passado da hora em que ela me liga sempre. Por que justamente no dia em que não vem para casa, ela também não fala comigo. Preocupado, mandei uma mensagem para o seu celular e a resposta tempos depois foi fora do comum, estava diferente, errando demais e com um vocabulário que nunca vi. A segunda mensagem de resposta foi uma repreensão que me fez pesar a consciência por não confiar nela. Mas como já estava na quinta mensagem sem resposta, liguei. E para minha desgraça, ela atendeu ao telefone.
Mariana estava em uma festa da faculdade, bêbada e sorridente, mesmo tendo mentido friamente para mim quando me escreveu que estava quase chegando a sua casa. Meu mundo foi ao chão, eu perdi o tino, a razão e disse milhares de impropérios impossíveis de transcrever aqui. A discussão via celular foi longa e exaustiva, culminando com o término do namoro. Dormir depois de tanta raiva foi tão difícil que só consegui realmente apagar depois do quarto comprimido de lexotam. Durante o tempo em que rolei na cama, só conseguia pensar em como ela pôde ser tão vil comigo, tão insensível com meu sentimento. Suas lágrimas me doíam, mas pior que a dor era a irritação que provocavam em mim. Naquele instante todo amor se transformou em ódio. Não um ódio qualquer, mas o derradeiro. Jurei que nunca mais queria olhar para ela, pois se foi capaz de mentir, dissimular, enganar, como eu poderia olhar em seus olhos e ainda desejá-la? A dor do desengano se instalou sobre mim e machucou mais do que qualquer ferimento, mais que um tiro seco, mais que um punhal desferido sem piedade pelo assassino frio no beco escuro da morte. Eu estava morto, apesar de ainda respirar.
Dia seguinte, vida vazia. Passei a manhã entre a insanidade e doença na alma. Um sentimento estranho de nulidade e vazio no coração. Mas era preciso continuar, uma vez que a quantidade de remédios correndo em minhas veias fora insuficiente para me manter na cama como um vegetal. Saí. Incomunicável, aproveitei o tempo são para caminhar pelas ruas tristes de um dia cinza e chuvoso. Pensava em nossos bons momentos e também nos maus. A dor era intensa. Quando resolvi que era hora de voltar para casa, percebi que ela havia me ligado inúmeras vezes. Não voltei as ligações. Queria que ela entendesse que eu não mais queria passar pela mágoa que me impôs sem que eu nada pudesse fazer para mudar, transformar, esquecer a dor que o golpe me causara.
Para meu espanto, no fim da tarde ela veio a minha casa para conversar. Seu rosto estava tão apagado como o meu. Arrependida, creio, por ter me traído a confiança. Conversamos, na verdade foi um monólogo dela, durante horas intermináveis, marcadas por lágrimas sofridas. Eu, que geralmente falo demais, não disse mais do que três frases monossilábicas. Queria me desprender dela, esquecer que um dia entreguei todo o sentimento bom que ainda existia em mim depois do fracasso do casamento.
O amor, mesmo arruinado, conseguiu gritar forte ao meu ouvido. Retrocedi, dei mais uma chance para que ela reparasse o erro grave, mas a decepção não se foi. Ainda vive em mim como uma praga mortal. Assim, embora tivéssemos um final de semana tentando apagar o fogo, a semana novamente marcada de ausência me machucou. Não consigo mais dizer que a amo, embora a ame com toda a força. Queria saber como esquecer, como perdoar, como aceitar o fato; mas não tenho esse dom superior. Sou um homem cheio de graves defeitos, e o maior é não esquecer.
Ainda estamos juntos, mas não sei até quando continuaremos. Não posso afirmar mais nada enquanto não abrandar a ira que me toma o pensamento arredio. Ouço-a arrependida ao telefone dizer que me ama; que não medirá esforços para reconquistar minha confiança, mas não vejo como pode fazer isso, pois não consigo, por mais que eu queira, acreditar no que sai de sua boca. Será verdade? Será mentira? Como posso acreditar em quem mente, magoa e depois volta arrependida como um cão sem dono, com os olhos cheios de lágrimas?
Temo que desta vez ela tenha extrapolado, passado dos limites. Não quero amar alguém em que não posso confiar. Toda noite imagino o que ela possa ter feito e o que faz. Toda noite eu choro, pensando nela e na dor que vive em mim pelos meus castelos construídos em nuvens frias.
Quem sabe tudo isso passe. Quem sabe eu a perdoe. Quem sabe eu possa dizer que a amo intensamente como amei um dia, desde que não haja mais mentiras.
